Relatório de Viagem da delegação Brasileira ao Campeonato Norte Americano da Classe Optimist 2005.
Como é do conhecimento de todos chegamos com certa dificuldade à ilha de Tobago por rotas diferentes, mas conforme planejado conseguimos reunir a turma toda no dia previsto para o primeiro treino na água exatamente no dia 22 de junho com cinco dias disponíveis para treinar antes da primeira regata oficial. Encontramos uma base relativamente deserta enquanto a chegada dos outros times aconteceu a partir do dia 24. O local de beleza não comum era relativamente pobre e longe de tudo. Não havia centro habitado por perto. Em compensação apareceu evidente a facilidade logística oferecida pela organização. Tudo era concentrado em um único hotel situado na praia de onde os barcos sairiam, sem necessidades de traslados ou de alugueis de carro para transporte das delegações. A delegação ficou hospedada em apartamentos não luxuosos, mas, bastante adequados e com vista para a praia do evento. Todos os aptos dispunham de cozinha e refrigerador fato que se revelou determinante para a qualidade e fartura da alimentação e permitiu também um agradável e barulhento convívio. Fizemos uma rápida pesquisa sobre gostos de cada um e abastecemos os quartos de todos com alimentos e frutas em abundancia alem de água e sucos. Todos os dias de volta dos treinos os meninos recebiam também um lanche para conseguir agüentar a fome até o jantar oferecido pela organização. Nos dias que antecederam a abertura do evento cozinhamos por nossa conta nos aptos e as macarronadas foram sempre bem aceitas.
A alimentação no primeiro dia oficial da competição não foi das melhores, confirmando a expectativa que os organizadores dos campeonatos internacionais nunca se lembram que os competidores são crianças e que a maioria come comida padrão de criança e não comida típica .. Na reunião dos “team lideres” alguns países reclamaram, incluindo o Maurizio e a partir de então melhorou bastante.... De qualquer forma a alimentação das crianças acabou sendo um dos pontos altos de nossa delegação, uma vez que não tivemos problemas de caixa pudemos organizar alimentação extra para todos já que os quartos tinham cozinha, pudemos ter lanche extra na água todos os dias, lanche após a regata para aguardar o jantar, assim como extras de cafe da manhã ou lanches antes de dormir. Tivemos dois jantares Italianos simplesmente maravilhosos...Não sobrou NADA !!!!
Depois a comida da organização esteve boa a meu ver e o que mais me agradou foi a abundancia e a falta de fiscalização sobre quem se estava utilizando deste serviço como também sobre a quantidade e a possibilidade de repetir permitida para cada participante.
A retirada dos barcos foi tranqüila e o pessoal da Rio Tecna (Santiago) mostrou-se imediatamente bastante flexível e amigável no assunto sempre polemico dos reembolsos para material danificado. No final quase nada foi cobrado apesar de quase todos os barcos terem arranhões ou batidas e mesmo os barcos que foram notificados receberam cobranças relativamente pequenas. Todos ou quase todos os barcos eram usados, mas em bom estado. Não houve reclamação de nenhum nosso velejador quanto a este assunto. De forma bastante madura e amigável os mesmos velejadores definiram com antecedência qual seria o critério adotado para receberem os barcos numerados de 1 a 14. Os barcos ficavam num estacionamento publico do lado do hotel e vigiados dia e noite. A praia sendo publica, estava aberta a todos e cheia de pequenas lojas nem sempre bem freqüentadas. Percebemos logo no primeiro dia que não era lugar adequado para passear a noite e tentamos conversar com os meninos logo nos primeiros dias sobre o assunto.
Os dias de treino foram aproveitados por inteiro e sempre com condições adequadas de vento que se manteve sempre na mesma direção de E-NE com intensidade variável entre sete e 15 nós. Percebemos logo que o vento sendo terral chegava rondado e com intensidade variável ao longo da raia a qual por conta da profundidade das águas tinha que ser montada próxima da terra. A bóia de contravento era quase sempre posicionada perto da entrada da enseada da praia e era fácil acompanhar as montagens de bóia desde o hotel. Mais longe da praia o vento era mais estável em direção e força, mas também havia correnteza forte e (soubemos depois) profundidade das águas tão alta que inviabilizaria a montagem da raia.Treinamos muito com a equipe de Bermuda e dos EUA percebendo logo que a velocidade dos nossos velejadores era boa e que em relação a estas equipes a luta seria de igual para igual. Curiosamente ao longo dos treinos o Alexandre mostrou-se contrariado pelo fato de ter que correr em águas abrigadas e estava bastante desmotivado! Isto desapareceu logo na primeira regata ao longo da qual o mesmo largou entre os primeiros na bóia foi para esquerda o tempo todo e venceu até com certa facilidade.
Antes do início do Campeonato, procuramos organizar os horários e montar uma certa rotina visto que o local era muito grande e todas as vezes que tínhamos que conversar era difícil reunir o pessoal. Definimos horários e local para: acordar, café da manhã, montagem dos barcos, lanche após regata, jantar e reunião da noite. Combinamos algumas atividades que deveriam ser realizadas por todos juntos - café da manhã, montagem de barcos, lanche após regata, jantar e reunião...
Ao longo do campeonato a equipe mostrou-se competitiva, mas todos tiveram altos e baixos e a sumula demonstra também que a hierarquia de valores não foi respeitada, ou seja: nem todos estiveram à vontade com a raia e não soubemos corrigir isto ao longo do evento. Neste ponto sendo matéria técnica prefiro deixar a analise ao coach que reportará o assunto em relatório separado.
Todos os dias de regatas Maurizio ou Eurico se encarregaram de mandar as noticias o mais rápido possível. Alguma dificuldade de comunicação das crianças com o Brasil e a sala da internet muito cheia no horário livre dos velejadores dificultou a comunicação.
Depois dos dois primeiros dias tivemos a difícil tarefa de definir nossa equipe para o campeonato por equipes, após conversarmos, Andrea, Duca e Maurizio quando discutimos diversos pontos, levamos ao grupo uma primeira proposição de equipe mas demos a todos oportunidade de expor sua opinião e tentamos organizar um processo " democrático", entre os velejadores e o técnico... Como não conseguimos que eles sozinhos definissem a formação da equipe, Country, Team e Técnico novamente se reuniram, agora já levando em consideração as ponderações feitas por todos e a opção foi montar uma equipe mais experiente onde teríamos 3 velejadores do RJ e 2 de SC, todos com bastante experiência em regatas por equipe juntos.
Infelizmente tivemos o primeiro dia com muito pouco vento o que deixou nossa equipe em desvantagem e mais o complicado incidente do barco da comissão ter se confundido e retirado o Conrado da competição. Houve um pedido de reparação em água que foi julgado improcedente pois na opinião dos juízes o fato não teria alterado o resultado final da regata.
Ao final do primeiro dia das regatas por equipes tentamos reverter a situação em terra mas não sentimos a menor boa vontade da juria e após tentar por algumas horas reverter a situação optamos por um pedido escrito de reabertura de julgamento, mas apesar do aviso de regatas ter explicito que o horário limite seria as 22 hs e termos registrado as 21: 30 hs nosso pedido não foi julgado por decurso de prazo... Nossa posição foi pedir tudo por escrito e recomendar o encaminhamento do problema a ABCO e FBVM para que possam fazer uma avaliação melhor e tomar as atitudes cabíveis...
Do ponto de vista organizativo optamos por alugar dois botes compartilhados com equipes menores da Guatemala e da Martinica Francesa. Acredito ter sido uma boa escolha dando ao grupo de 14 velejadores mais suporte e apoio na água. Em contrapartida não posso deixar de reconhecer que o suporte técnico oferecido aos nossos velejadores era limitado. Os melhores times (Bermuda, Trinidad, Peru, Eua) estavam com treinadores federais profissionais e vários técnicos de suporte espalhados pela raia e até em terra observando as rajadas o estabelecendo a freqüência das mesmas. Todos em contato via radio.Times como os dos Eua eram muito rígidos em termos de disciplina e cumprimento de rotinas diárias chegando até a ser exagerados e criando descontentamento entre os velejadores. Excluindo os casos extremos o meu diagnostico é os velejadores da nossa delegação que se deram bem devem isto à típica soma de fatores favoráveis que aparecem em um evento mais de que em outro. Mas foram sempre por conta própria. Para os que não tiveram bons resultados desde o começo faltou suporte psicológico e técnico para reverter o quadro e maximizar o resultado da equipe inteira.
Do ponto de vista disciplinar tivemos alguns problemas no primeiro dia conforme relatado na época, mas a situação ficou bem tranqüila em seguida. O grupo além de grande era muito heterogêneo em termo de maturidade. Havia adolescentes independentes e irrequietos juntos com meninos ainda relativamente tranqüilos. As meninas não deram o menor trabalho. Os pais presentes ajudaram nas tarefas do dia a dia e em nenhum momento confundiram o papel de ajudantes da equipe com o de pai.
Como responsável pelos recursos financeiros da empreitada gostaria de finalizar registrando o clima de absoluta confiança e disponibilidade demonstrada pelos pais na nossa gestão. Saímos com um caixa comum gordo e abastecido antecipadamente. Pudemos para enfrentar as despesas de preparação ao evento com tranqüilidade e isto permitiu cumprir prazos impostos pela organização evitando cobranças de multas. Em Tobago constatamos que parte das despesas previstas não aconteceria e conseguimos devolver para todos uma boa quantidade de recursos.
Cabe um agradecimento aos nossos patrocinadores de uniformes Wollner Outdoors, Tom e Cat e a Azula Marine pelos coletes que juntamente com o resto das nossas uniformes foram objeto de cobiça por parte dos velejadores dos outros times.
Merece alguma menção também o fato que como Team Leader e Country Representative fomos convidados a participar da reunião da North American Optimist Association ao longo da qual foi longamente discutida a proposta da Barbados Optimist Association de restringir a participação aos futuros eventos NAM aos paises membros da North American Optimist Association excluindo de fato paises da América Latina. O desenvolvimento da região do Caribe é tão forte que este ano foi difícil gerenciar o excesso de reclamações por falta de vagas. Para termos uma idéia do tamanho que a região esta assumindo deve-se pensar no fato que apenas 10 anos atrás Trinidad não tinha atividade da classe Optimist e hoje tem 90 barcos e velejadores entre os 10 primeiros colocados de todo e qualquer evento internacional mundial incluso. 90 barcos da Rio Tecna usados foram vendidos lá na hora para novos praticantes da região. O assunto seria discutido na reunião anual da IODA e a esta altura já sabemos que a proposta de Barbados foi rejeitada. O Brasil mantém, portanto suas 14 vagas para o próximo evento. Prevaleceu o argumento que hoje tal proposta é prematura e reduziria demasiadamente o nível técnico do campeonato. Outro assunto em pauta era a apresentação dos paises organizadores do NAM 2006 e 2007 respectivamente Porto Rico (cidade de Ponce) e Mexico (cidade de Puerto Vallarte) lugares conhecidos por serem bonitos e ventosos.
Resumidamente podemos destacar como pontos altos um caixa mais planejado que em eventos anteriores o que possibilitou conforto e apoio a toda equipe principalmente considerando que o local era bastante desprovido de apoio logístico. Soma-se a isso a participação do Nelson, pai do Alê, passando um pouco de sua enorme experiência para nós na elaboração do pedido de reabertura do julgamento e para nossa equipe na reunião da noite, conversando um pouco das dificuldades da raia: vento rondado, corrente, etc.., com toda certeza todos aproveitaram muito seus ensinamentos principalmente sua considerações sobre metereologia.
O comportamento ao final do campeonato com todos bastante felizes e orgulhosos com o segundo lugar do Ale e Campeão Under 12 do Carlo, passamos a faina de desmontar e entrega dos barcos. Em nossa equipe todos tiveram o máximo cuidado em limpar e secar o material a ser entregue e mais uma vez, a equipe procurou atuar junto para todos pudessem ajudar. Ficamos impressionados com o estado que alguns outros países devolviam os barcos, cheio de areia, sujo, cheio de água, principalmente o Canadá e EUA e destacamos o apoio de todos os acompanhantes que se empenharam em tudo que foi possível na estrutura de nossa delegação, sendo este apoio fundamental para o sucesso da equipe.
Como ponto fraco destacamos a falta de unidade da equipe no translado Brasil/Tobago/Brasil, e apesar de compreendermos os motivos que justificaram dois roteiros distintos recomendamos que, se possível, toda a equipe esteja junta desde o princípio, principalmente quando se trata de locais de mais difícil acesso.
Andrea Nicolino de Sá – Country Representative
Maurizio Mazzaferro – Team Leader
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No primeiro dia de treino aproveitamos para observar a raia e conhecer os equipamentos. O dia estava chuvoso, com o vento vindo da direção de Crown Point. O mar estava muito mexido e com muita corrente, o vento rondava muito e com vários buracos. Nos demais dias o tempo estava aberto e o vento com mais intensidade vindo da Bay Area. Treinamos com várias equipes como Argentina, Bermudas, Trinidad, Peru, EUA e México fazendo pegas de contra vento, popa e na raia montada para a prática de regatas. Realizamos manobras com atenção ao popa que exigia muita habilidade devido as ondulações e as rajadas.
A equipe já demonstrava ser muito forte e guerreira. Percebemos que a raia pela sua complexidade seria estimulante e desafiadora para os velejadores, exigiria muita atenção, sensibilidade e controle. Muito seletiva, cobrando muita atividade física e mental dos participantes.
Na regata de abertura os velejadores participaram com seriedade e aproveitaram para praticar principalmente largadas com mais de 90 barcos! No primeiro dia de regatas válidas o vento estava na sua característica habitual vindo da baía com rajadas oscilando. Na primeira regata do campeonato (1A) já faturamos o 1O e 2O lugares com Alê e Conrado (dobradinha brasileira brindando a abertura do Norte Americano), na segunda bateria (1B) Stefano finaliza em 12o . Na regata 3A Antonio termina em 9o e Alê em 8o na 3B. Segundo dia, nuvens de chuva com vento foram um aspecto adicional para as regatas. Novamente começamos o dia com o Brasil na frente com Alê e Conrado (1o e 2o na 4A.). Na 5A Cássio fica em 5o empatado com o 6o, Tuneca em 8o. Na bateria seguinte mais uma grande vitória, Felipe ganha a 5B (dobradinha do bote BRA/FRA), Alê fica em quinto e o peruano (Alex Zimmermann) em 7o . Na 6B Alê obtém mais um ótimo resultado, 3o .
Dia de regatas de equipes, além do vento estar fraco e rondado a raia estava grudada à costa. Passamos pelo Chile, fomos batidos por Porto Rico, uma equipe muito rápida e ainda houve um incidente lamentável envolvendo um bote de apoio da CR que praticamente parou o barco do Conrado na regata. EUA3 venceu a nossa equipe na seqüência. Peru campeão, Bermudas vice.
No dia 1o tivemos 4 regatas com vento vindo de Pigeon Point . Novamente começamos muito bem o dia, na primeira regata (7A) Alê obtém o 2o e Marcelo Lopes o 3o . Demonstrando muito talento Carlo ganha a 7B e Antonio fica em 6o . Também em 6o Conrado na 8A. 8B peruano em segundo, Alê em sétimo. 9A, Carlo chega em 5o mas escapou na bandeira preta. Mais uma vitória do Alê (9B), Marcelo Lopes é 6o . Guico finaliza em 3o na 10A .
No último dia o vento não estava firme. A CR estava com muita dificuldade de montar a raia. A primeira bateria do dia foi cancelada devido a mudança de direção do vento. A espera foi grande, estávamos na expectativa para o match entre o Alê e o Alex Zimmermann que definiria o campeão do campeonato. Ajustada a raia a sinalização foi dada. O Alê não largou bem, sua estratégia de regata foi prejudicada e descartou o resultado.
Festejamos muito o vice campeonato conquistado pelo Alexandre Alencastro, o grande campeão under12 Carlo Mazzaferro (29o geral), dois velejadores que se destacaram além da técnica e determinação pela tranqüilidade e confiança, “sem nóia”. Todos da equipe brasileira lutaram muito e superaram dificuldades, também são vitoriosos, Conrado 21o, Guilherme 41o, Tuneca 46o, Martine 53a(5a feminina), Antonio 55o, Stefano 58o, Felipe 64o, Marcelo Lopes 66o, Marcelo Pillar 69o, Cássio 72o, Leiticia 117a e Ana 122a .
Comemoramos e fomos parabenizados por técnicos, team leaders e velejadores dos demais países pelo desempenho do Brasil na água e pela amizade em terra. Valeu!
Fernando K. Kessler (Duca) – Coach
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